Neste artigo, você aprenderá o passo a passo do que é feito em cada umas das etapas que compreendem a elaboração de um Projeto Estrutural.

Se preferir, você pode conferir esse conteúdo no vídeo abaixo:

Antes de entrar nas etapas, é importante falar que o Projeto Estrutural é um conjunto de documentos com todas as informações necessárias para a execução da estrutura na obra. Em sua grande maioria, estes documentos se apresentam em formato de pranchas, mas também podem estar em formato de relatórios/memoriais.

Dentre estes documentos, podemos citar: A planta de locação das fundações, planta de formas contendo todas as dimensões dos elementos, níveis dos pavimentos da estrutura, detalhamento das armaduras, memoriais descritivos e de cálculo etc.

Etapas de um projeto estrutural

Os Projetos Estruturais, assim como todos os demais projetos complementares, são elaborados em função de um Projeto de Arquitetura. É a partir do projeto arquitetônico que definimos a locação (posição) dos elementos estruturais, esse processo é chamado de Concepção Estrutural. Após esta etapa é realizada a Análise Estrutural, em seguida o Dimensionamento e Detalhamento dos elementos e, por fim, a Emissão das Pranchas e demais documentos finais do projeto (Figura 1).

 

Veremos todas estas etapas no decorrer do artigo.

1. Concepção estrutural

Em posse do projeto arquitetônico, inicia-se a primeira etapa do Projeto Estrutural, a concepção. Nesta fase, definimos o sistema estrutural a ser adotado (concreto armado, alvenaria estrutural, concreto pré-moldado, estrutura metálica, etc).

O sistema estrutural deve ser definido pelo engenheiro calculista sempre buscando um equilíbrio entre viabilidade técnica (executiva) e econômica. Em alguns casos, o arquiteto, o proprietário da edificação ou até mesmo a construtora podem definir o seu sistema estrutural de preferência.

Além do sistema estrutural, na fase de concepção, também realizamos a locação e pré-dimensionamento dos elementos estruturais (vigas, pilares, lajes, etc), bem como definimos as combinações e ações que estarão atuando na estrutura. Vale ressaltar que os Projetos estruturais sempre devem ser concebidos seguindo premissas normativas. No caso de concreto armado, temos a NBR 6118:2014 – Projetos de Estruturas de Concreto – Procedimento, a NBR 6120:2019 – Ações para o cálculo de estruturas de edificações, dentre outras.

 

A Figura 2 ilustra um modelo de Estrutura em concreto armado de uma edificação residencial em fase de concepção estrutural.

2. Análise estrutural

Após a realização da fase de concepção, chegamos à análise estrutural. Nesta fase analisaremos o comportamento da estrutura quando submetida às ações definidas anteriormente. Estes resultados nos serão apresentados em forma de momentos fletores, esforços cortantes e axiais, deslocamentos sofridos pela estrutura, etc (Figura 3). Vale destacar que devemos sempre analisar o comportamento da estrutura tanto no Estado Limite Último (ELU) quanto no Estado Limite de Serviço (ELS).

 

Na fase de análise estrutural, é imprescindível o conhecimento do modelo estrutural adotado na análise dos elementos, bem como os vínculos aplicados entre eles. Desta forma, a interpretação dos resultados obtidos é feita corretamente e possíveis erros no dimensionamento e até mesmo na execução da estrutura podem ser evitados.

3. Dimensionamento e detalhamento

Em função dos resultados obtidos na análise estrutural, no caso de estruturas em concreto armado, as áreas de aço são calculadas e todos os elementos são dimensionados e detalhados (Figura 4).

As ilustrações das Figuras 2, 3 e 4 foram retiradas de um dos softwares nacionais para projeto de estruturas em concreto armado disponíveis, o Altoqi Eberick. Os softwares de cálculo estrutural são ferramentas imprescindíveis atualmente, além de fornecer resultados mais precisos, nos torna profissionais mais produtivos. Entretanto, vale ressaltar que eles servem apenas como ferramenta auxiliar e jamais substituirão o nosso papel como Engenheiros. É responsabilidade nossa saber analisar todos os resultados do software.

4. Emissão das pranchas e documentação fiscal

Com todos os elementos estruturais detalhados, plantas, cortes e demais detalhes finalizados, é necessário organizar tudo em prancha. De modo geral, as pranchas que devem ir para a obra são, respectivamente:

  • Planta de locação das fundações;
  • Armação das fundações;
  • Plantas de formas de todos os pavimentos da edificação;
  • Cortes;
  • Armação dos pilares;
  • Armação das vigas;
  • Armação das lajes;
  • Armação das escadas;
  • Armação de piscinas e reservatórios.

Além das pranchas, deve ser anexado ao projeto a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) de autoria do projeto e, dependendo do acordado entre as partes e do tipo de empreendimento, devemos adicionar mais alguns documentos como:

  • Relatório de quantitativo de material;
  • Memorial de cálculo;
  • Memorial descritivo;
  • Relatório de custo.

Conclusão

Para finalizar, é importante destacar novamente que, mesmo os softwares possuindo funções que compreendem todas as etapas relatadas acima, eles servem apenas como ferramenta auxiliar na produtividade dos profissionais. É responsabilidade do engenheiro saber configurá-lo e analisar os resultados obtidos.

A MultiPRO lançará em breve o curso Projeto de Estruturas em Concreto Armado – Concepção, Análise, Dimensionamento e Detalhamento. Neste curso, você irá aprender passo a passo todas as etapas de um projeto estrutural de uma edificação residencial de alto padrão e, como ferramenta auxiliar, utilizaremos o software Altoqi Eberick.

Se ainda possuir alguma dúvida, nos deixe uma mensagem nos comentários abaixo que responderemos a todos. Forte abraço!